Mário Quintana nasceu em Alegrete (RS) em 30 de julho de 1906. Morreu
em Porto Alegre (RS) em 05 de maio de 1994. Trabalhou em jornais de Porto
Alegre e na Livraria do Globo (atual Editora Globo). Traduziu Prost, Conrad,
Voltarie, Virgínia Woolf, Maupassant, Graham Greene, Balzac, além
de outros autores importantes.
Mário Quintana por ele mesmo: Revista Isto
é (14/11/84)
"Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa
que me aconteceu. E agora podem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! eu sempre
achei que toda confissão não transfigurada pela arte é
indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são
eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão.
Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí
vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas:
ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade
demais, pois foi-nos prometida a eternidade. Nasci no rigor do inverno,
temperatura: 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio
complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um
dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill
nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton!
Prefiro citar a opinião dos
outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão
orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque
poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação.
Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada
disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque
sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só poor não poderem
ser chatos como os outros? Exatamente por execrar a chatice, a longuidão,
é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é
a busca da forma (não da forma), a dosagem das palavras. Talvez concorra
para esse meu cuidado, o fato de ter sido prático de farmácia
durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond
de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Érico Veríssimo - que
bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras."
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