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A reinvenção de José Paulo Paes

por Valéria de Oliveira Alves

 

 

Ler um grande autor é sempre uma experiência singular. Mas ler um grande poeta é uma experiência de reinventar-se. Ler José Paulo Paes é reinventar as palavras que já estavam gastas ou sem vida em sua mente e rever coisas que pareciam tão óbvias.

O piolho, de Aristóteles a Freud
Catarse:
catar-se.

José Paulo Paes nasceu em 1926 em Taquaritinga, interior de São Paulo, mas mudou-se para Curitiba onde passou a conviver com artistas e intelectuais da cidade. Tornou-se não só poeta, mas também ensaísta, crítico literário e tradutor, se destacando no cenário intelectual brasileiro. Lecionou na USP e traduzia oito idiomas. Entre seus livros, destacam-se os de poesia infantil e juvenil (como "Olha o bicho", "Poemas para brincar" e "Uma letra puxa outra"), suas antologias ("Poesia erótica em tradução") e crítica literária ("A aventura literária - ensaios sobre ficção e ficções"). Em 1998, o poeta morreu deixando um livro de poesia infantil pronto ("Vejam como eu sei escrever" publicado em 2001) e um inconcluso ("Socráticas").

O livro "Socráticas" é organizado em três partes (alpha, beta e gamma) e tem a sua marca de ironia e mordacidade em uma linguagem simples e direta. A poesia de Paes chama-nos para rever e repensar o mundo e as verdades cristalizadas da nossa vida moderna. É um poeta questionador da sociedade capitalista em que estamos mergulhados.

Apocalipse
O dia em que cada
habitante da China
tiver o seu Volkswagen

 

Aporia da vanguarda
Nada envelhece tão depressa quanto a novidade.
Só o que já nasceu velho é que não envelhece.

 

Mas seu olhar não é só crítico, é também aquele olhar sensível que captura a beleza dos momentos fugazes como no poema "Borboleta". Esse olhar sensível nos faz lembrar às vezes Mário Quintana. O poeta vê nas coisas do dia-a-dia momentos de extrema beleza que muitas vezes nos passam despercebidos. Além disso, percebe a realidade contemporânea de forma irônica e singular, refletindo questões sociais e humanas como em "Anacronia" ou "De malas prontas". Percebemos através da sua poesia que José Paulo Paes era um homem que estava atento a tudo o que ocorria ao seu redor, mas não de modo passivo. Questionava os valores atuais e as mudanças sociais que via acontecendo e usava a ironia e um humor fino para despertar novos pensamentos no leitor.

Por tudo isso, "Socráticas" é um livro essencial para todos aqueles que querem reinventar-se e reinventar seu mundo.

 

Leia mais sobre o poeta e conheça mais suas poesias em:

Jornal de Poesia: http://www.revista.agulha.nom.br/jpaulo.html

http://www.antoniomiranda.com.br/Brasilsempre/jose_paulo_paes.html

http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet058.htm

 

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