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O visconde partido ao meio:
pra começar a ler Ítalo Calvino
Quem nunca leu o escritor italiano Italo Calvino não sabe o que está perdendo!!! E, pra começar, nada melhor que essa narrativa leve ao estilo de uma fábula: O visconde partido ao meio. O livro foi lançado em 1952 e junto com O cavaleiro inexistente e O barão nas árvores formou uma trilogia que o próprio autou chamou de Os nossos antepassados, uma espécie de árvore genealógica do homem contemporâneo, alienado, dividido, incompleto.
Calvino nasceu em 15 de outubro de 1923 em Cuba, mas seus pais, italianos, voltaram à Itália logo após seu nascimento. Seu primeiro livro foi publicado em 1947: A trilha dos ninhos de aranha. Morreu em 19 de setembro de 1985 já conhecido mundialmente.
O visconde partido ao meio foi seu segundo livro e narra a história do Visconde Medardo di Terralba que é partido ao meio numa guerra:
"O Visconde Medardo é um jovem tenente, que embebido de uma coragem adolescente, se lança na guerra contra os turcos. No meio do combate, no qual está vitorioso, o Visconde salta na frente de um canhão inimigo. Nesse momento leva um tiro de canhão que o parte ao meio. Uma metade de Medardo, que foi encontrada por médicos do exército cristão, retorna à casa, só que totalmente ruim e sombria. Mais tarde, retornará a parte boa, que foi cuidada por monges. Eis a história de um homem partido. " (Vide site abaixo)
É claro que ao voltar pra sua cidade, Terralba, o Visconde causa estranhamento. Mas não apenas por sua nova condição física. Suas atitudes más afastam e amedrontam as pessoas. No entanto, com o tempo, suas maldades são encaradas com indiferença apesar de ninguém entendê-las. Quando a outra metade do Visconde reaparece, dessa vez a parte boa, as pessoas voltam a se assustar, agora com o "excesso" de bondade:
"O lado bom de Medardo é alguém que se põe a serviço da natureza. Tomará para si a devota missão de devolver as pétalas caídas às flores, pensará na melhor forma de extrair da terra os alimentos sem destruí-la, estará a serviço das crianças e dos velhos, ouvirá a todos e a ninguém se furtará. Será amado até o momento em que se torna alguém insuportável: intervém demais na vida das pessoas com opiniões desprovidas de senso crítico, coisas, aliás, que o homem partido "mau" tem em demasia. O "bom" aparenta-se muitas vezes piegas, ridículo e superficial na sua vontade de ajudar e contribuir. E sua ação, mesmo que bem recebida, se torna um transtorno por ser excessiva." (Vide site abaixo)
O que fazer com essas duas metades contraditórias? Como conviver com os extremos da bondade e da maldade? Os moradores da cidade ficam extramamente confusos. Essa é uma história fascinante que nos faz refletir os paradoxos do ser humano. Ninguém consegue ser totalmente bom, mas é impossível ser totalmente mal. Uma história pra fazer pensar de forma divertida, como o próprio autor declara em trecho da apresentação do livro:
"Quando comecei a escrever O visconde partido ao meio, queria sobretudo escrever uma história divertida para divertir a mim mesmo, e possivelmente para divertir os outros; tinha essa imagem de um homem cortado em dois e pensei que o tema do homem cortado em dois, do homem partido ao meio fosse um tema significativo, tivesse um significado contemporâneo: todos nos sentimos de algum modo incompletos, todos realizamos uma parte de nós mesmos e não a outra. Para fazer isso, tratei de compor uma história que se equilibrasse, que tivesse uma simetria, um ritmo ao mesmo tempo de conto de aventura mas também quase de balé" (CALVINO, p. 5-6)
O final? Só mesmo lendo o livro pra saber. Divirta-se, reflita e se encante com a história inteira de Calvino.
Fontes:
CALVINO, Ítalo. O visconde partido ao meio. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
Trechos citados: http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/o/o_visconde_partido_ao_meio
Saiba mais:
Ótimo artigo sobre o livro: http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/o/o_visconde_partido_ao_meio
Sobre o autor: http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u127.jhtm
Sobre o autor: http://pt.wikipedia.org/wiki/Italo_Calvino