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Saramago: não se pode duplicá-lo
O novo livro do escritor português José Saramago não sai da lista dos mais vendidos desde o início do ano. O homem duplicado (Editora Companhia das Letras, 316 págs., R$ 36,00) não decepciona os leitores e fãs de Saramago, primeiro escritor em língua portuguesa ganhador do Prêmio Nobel de Literatura.
Nascido em 1922 na aldeia de Azinhaga, província de Ribatejo (Portugal), Saramago sempre esteve envolvido ao movimento político de seu país. Passou pelo regime ditadorial de Salazar e foi militante do partido comunista. Na década de 60, foi a vez da guerra das colônias africanas contra Portugal chamar a sua atenção. Só mesmo na década de 70 o escritor consegue se livrar um pouco do aspecto político, mas nem por isso deixa de se envolver ao que acontece com a sociedade. Seu olhar passa, então, para o lado psicológico e humanista e começa a observar como as mudanças sociais afetam o ser humano. Exerce diversas atividades profissionais: de serralheiro mecânico a jornalista. Escreve em diversos jornais, mas é na década de 80, já aos 58 anos, que publica seu primeiro romance: Levantado do chão. Depois disso, publica diversos livros em que a questão do poder está sempre presente: desde as várias formas de poder à opressão que surge pelo mau uso do mesmo.
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O homem duplicado conta a história de Tertuliano Máximo Afonso. Ele é um professor de história de ensino médio, sem grandes pretensões intelectuais. Ao assistir a um filme em vídeo descobre que há um outro ser igual a ele. Um dos atores do filme é o seu sósia. Começa, então, uma pesquisa minuciosa para descobrir quem é esse ser, seu duplo. Essa obra de Saramago, entretanto, não procura discutir a clonagem ou outras experiências do nosso mundo pós-moderno. A ênfase do escritor é a perda da identidade do ser humano na sociedade global. Tudo é claro, com seu estilo característico: a palavra sendo usada em uma rica estrutura construída para mostrar a complexa época de transformações pelas quais passamos.
Como as obras anteriores do escritor, O homem duplicado é imperdível. Para quem ainda não leu Saramago, não sabe o que está perdendo. A princípio sua escrita pode ser considerada difícil para um leitor iniciante. Mas vale a pena seguir em frente, afinal suas narrativas são riquíssimas e únicas.
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