Entendendo
a Literatura Infantil
por
Valéria de Oliveira Alves
Há
uma enorme discussão entre os teóricos
para entender a Literatura Infantil. A discussão
passa pela conceituação, a concepção
da infância e do leitor, a ligação
da literatura infantil e a escola, até
o caráter literário dessas obras
para crianças.
Os primeiros livros para crianças surgem
somente no final do século XVII escritos
por professores e pedagogos. Estavam diretamente
relacionados a uma função utilitário-pedagógica
e, por isso, foram sempre considerados uma forma
literária menor. A produção
para a infância surgiu com o objetivo
de ensinar valores (caráter didático),
ajudar a enfrentar a realidade social e propiciar
a adoção de hábitos. Infelizmente,
ainda podemos encontrar esses objetivos na produção
infantil contemporânea.
Para entender melhor essa função
utilitário-pedagógica presente na literatura infatil vamos ver o que falam
Maria José Palo e Maria Rosa D. Oliveira:
Dentro
do contexto da literatura infantil, a função
pedagógica implica a ação
educativa do livro sobre a criança.
De um lado, relação comunicativa
leitor-obra, tendo por intermediário
o pedagógico, que dirige e orienta
o uso da informação; de outro,
a cadeia de mediadores que interceptam a relação
livro-criança: família, escola,
biblioteca e o próprio mercado editorial,
agentes controladores de usos que dificultam
à criança a decisão e
escolha do que e como ler.
Extremamente pragmática, essa função
pedagógica tem em vista uma interferência
sobre o universo do usuário através
do livro infantil, da ação de
sua linguagem, servindo-se da força
material que palavras e imagens possuem, como
signos que são, de atuar sobre a mente
daquele que as usa; no caso, a criança.1
No Brasil, a Literatura Infantil só chegou
no final do século XIX. A literatura
oral prevaleceu até esse período
com o misticismo e o folclore das culturas indígenas,
africanas e européias.
Carlos
Jansen e Alberto Figueiredo Pimentel foram
os primeiros brasileiros a se preocuparem
com a literatura infantil no país,
traduzindo as mais significativas páginas
dos hoje considerados "clássicos" para
a garotada.
Com Thales de Andrade, em 1917, é que a literatura
infantil nacional teve início. E foi
em 1921 que nosso grande Monteiro Lobato estreou
com "Narizinho Arrebitado", apresentando ao
mundo Emília, a mais moderna e encantadora
fada humanizada.2
No entanto, só após a década
de 70 houve um grande desenvolvimento da literatura
para crianças com a entrada de grandes
editoras no mercado.
A
produção brasileira de literatura
infanto-juvenil, até a década
de 70, foi esporádica, constituindo-se
basicamente de traduções de
clássicos e de algumas coleções
estrangeiras de grande apelo comercial.3
1-
PALO, Maria José e OLIVEIRA, Maria Rosa
D. Literatura Infantil -Voz de Criança. São Paulo: Ática,
1986.
2-
DINORAH, Maria. O livro infantil e a formação
do leitor.
Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.
3-
CUNHA, Leo. "Literatura Infantil e Juvenil".
In: Formas e Expressões do Conhecimento. Minas Gerais: Ed. UFMG, 1998.